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In Memoriam

Clara Sá-Miranda

A Sociedade Portuguesa de Genética Humana (SPGH) manifesta com profundo pesar o falecimento de Clara Sá-Miranda, no passado mês de dezembro de 2025.

Maria Clara Sá‑Miranda, farmacêutica, aprofundou a sua formação científica com um Mestrado em Biologia Estrutural (1980) e um Doutoramento em Bioquímica (1992) ambos pela Universidade de Paris, consolidando uma trajetória académica de excelência. Ao longo da sua distinta carreira, Clara Sá-Miranda foi uma figura central no panorama científico português. Integrou o Instituto de Genética Médica Doutor Jacinto de Magalhães (IGM), e liderou no Instituto de Biologia Molecular e Celular (IBMC) o grupo UniLipe (Unidade de Biologia do Lisossoma e do Peroxissoma), onde desempenhou também funções de vice-diretora.

Como sócia fundadora da Sociedade Portuguesa de Genética Humana (SPGH), o seu contributo pioneiro foi determinante para a estruturação da genética humana em Portugal e para a afirmação dos geneticistas laboratoriais clínicos. Foi igualmente cofundadora da Sociedade Portuguesa de Doenças Metabólicas (SPDM) e mentora da Associação Portuguesa de Doenças do Lisossoma (APL), demonstrando um compromisso contínuo com a ligação entre a investigação de bancada e o apoio ao doente.

O percurso de Clara Sá‑Miranda confunde‑se com a própria génese do IGM. Em 1977, foi convidada por Jacinto de Magalhães a integrar a equipa fundadora, num período decisivo em que se apostava fortemente na formação avançada de investigadores em centros internacionais de excelência. A sua integração revelou‑se determinante para o desenvolvimento de áreas‑chave, nomeadamente o diagnóstico enzimático e molecular das Doenças Lisossomais de Sobrecarga (DLS), contribuindo para estabelecer o rigor técnico e científico que viria a caracterizar a instituição. O seu legado científico é inseparável do profundo compromisso com a sensibilização, o acompanhamento clínico e a defesa das pessoas com doenças metabólicas, sendo uma referência internacional incontornável em patologias como a Doença de Gaucher.

Clara Sá-Miranda formou gerações de investigadores e clínicos, orientando inúmeras teses de doutoramento e deixando uma escola assente no rigor metodológico, na autonomia intelectual e no sentido de missão. Mais do que uma figura de consenso, foi uma defensora inabalável do mérito e da integridade científica, pautando-se por uma lealdade e firmeza que marcam todos os que com ela colaboraram.

Pelo seu inestimável contributo científico, institucional e humano, a Direção e a Comissão Científica da SPGH prestam uma sentida homenagem à investigadora e à mulher marcante que foi Clara Sá-Miranda. O seu legado permanecerá como uma referência maior na Genética Humana e nas Doenças Metabólicas — um exemplo eterno de exigência, perseverança, espírito crítico e dedicação à ciência.

Raquel Seruca

Hoje, 30 de Maio de 2022, faleceu  Raquel Seruca, cientista com uma profunda convicção de que Portugal  poderia  fazer  melhor  na  investigação  e  realização  de  projectos,  nomeadamente  ao serviço  da  patologia  oncológica.  A  sua  preocupação  na  área  da  prevenção  e  tratamento  do cancro foi a grande motivação para lutar por inúmeras possibilidades de angariação de meios para projetos de novas abordagens e para a área da formação, nomeadamente bolsas e outros financiamentos.
Era  reconhecida  como  uma  mulher  inspiradora  no  mundo  da  ciência  e  era  mesmo  tida  como “uma força da natureza”.
Em 2009, Raquel Seruca recebeu a insígnia  de Grande Oficial da Ordem do Infante D. Henrique pelo então Presidente da República, Cavaco Silva, pela excelência da sua investigação na área do cancro do estômago. Foi ainda agraciada pela Câmara do Porto, em 2014, com a “Medalha de Ouro de Mérito Científico”. Entre os prémios recebidos pelo seu trabalho científico, recebeu duas vezes o prémio Labmed (2002 e 2003) e duas vezes o prémio Benjamim Castelman USCAP (2001 e 2012).
Investigadora no Instituto de Investigação e Inovação em Saúde da Universidade do Porto (i3S), era vice-directora  do  Instituto  de  Patologia  e  Imunologia  Molecular  (Ipatimup). Era  ainda membro  do  Conselho  Científico  Consultivo  da  associação  norte-americana  No  Stomach  for Cancer, que apoia famílias com cancro gástrico.
Mas, é também como presidente da Sociedade Portuguesa de Genética Humana (SPGH), papel que geriu com entusiasmo, que a recordamos. A Genética Humana terá sempre presente esta grande visionária de um futuro, que foi tornado presente em cada concretização conseguida. A amiga  e  colega,  Raquel  Seruca,  ficará  para  sempre  na  história  da  SPGH  e  no  registo  científico mundial, que “escreveu” com rigor.

Maria de Sousa

A Sociedade Portuguesa de Genética Humana(SPGH) manifesta com profundo pesar a partida da Profª Maria de Sousa. Eminente investigadora, reconhecida internacionalmente principalmente na área da imunologia, deu um contributo inestimável para o desenvolvimento da ciência em Portugal. Para além da investigação que desenvolveu com extremo rigor, exigência e sentido crítico, deu um contributo determinante para a implementação e desenvolvimento do primeiro programa doutoral da Universidade do Porto na área da biologia básica e aplicada. A Profª Maria de Sousa foi ainda, como colaboradora da Junta Nacional de Investigação Científica e Tecnológica, a principal responsável pelo desenvolvimento da avaliação científica independente da investigação realizada em Portugal na área das ciências da vida.

A SPGH teve a honra de receber contributos da Profª Maria de Sousa por diversas ocasiões, para além de trabalhos científicos apresentados pelos seus alunos nas reuniões desta Sociedade, destaca-se a sua presença como moderadora na 7ª reunião anual da SPGH, numa sessão em que se comemoraram os 50 anos da descoberta da estrutura do DNA.

É com eterna saudade que a SPGH apresenta à família da Profª Maria de Sousa, assim como às diversas Instituições em que a mesma trabalhou, a sua homenagem pelos diversos contributos que a Profª Maria de Sousa deu ao desenvolvimento da ciência em Portugal. Com a sua partida, ficamos cientificamente mais pobres mas com os horizontes científicos mais alargados face à clarividência, ao saber e ao sentido crítico construtivo que a Profª Maria de Sousa sempre nos proporcionou.